Há algum tempo as noites eram reservadas às nossas conversas, a irmã Selma e a Lara, o Régis, às vezes. Deve ter mais gente, mas tô esquecendo. E a gente combinava o que faríamos e se nos veríamos na semana, mas era quase certo que sim. O foda é que eu criei uma certa dependência e posso até ter sido filhodaputa em alguns momentos, mas saiba, meu caro, ninguém é insubstituível, mas também não dá pra trocar o certo pelo incerto.
Não troco nada por nada, para ser bem sincero. E também não sou muito fã de ser só xoxado, eternamente. Você lembra quando foi a última vez que viu algo positivo em mim? Hm, eu não. Mas posso falar as vezes que você me xoxou de graça.

O Gê mudou de emprego e mal nos falamos mais. Sou social com o Régis. Falo com a Lara às vezes e sinto saudades dela. A Selma é uma queria, e mora no meu coraçnao, ali, virando a esquerda.
Aliás, tudo mudou e aí a gente vê que amigos de verdade, só temos um ou dois, e olhe lá.

E há alguns meses atrás eu bebia e usava tudo o que podia, mesmo indo trabalhar virado e cagado, quase todo dia, eu era um pouco mais alegre. Mas nem tô dizendo que estou dpressivo, longe de mim, graúna! E o inverno foi bacana e dei tanta risada esse ano.
Valeu tudo a pena, sem dúvidas. E aí as coisas foram acontecendo e não sei como chegamos aqui, mas não vejo mais nenhuma outra alternativa agora.
É estranho olhar essas fotos hoje. Parece que faz tanto tempo, msa não menos que seis meses.

Bom, todo mundo sobrevive, não vejo mal nenhum em viver a vida dealgumas formas, mas não me orgulho de muita coisa.
Amanhã eu toco na Lôca, e tô aqui ouvindo muita coisa antiga que quero tocar, como M. Claude e Rosa Fumetto. Ando numa fase bem italo disco mas não tô tão interessado em fazer a pose de audiófilo. Quero mais é criar uma identidade longe dessas bichas que juram que tem referência, mas no máximo é um pseudo hipster com talento pra animador de festa, macaco de auditório.

Vou aproveitar amanhã pra dar uma volta pelo centro antes de encontrar  o Polido, que vai fotografar um evento, ou algo do tipo. Não dei muita atenção, pq tava conversando com minha tia. Depois eu leio com calma. Aliás, minha tia disse que é minha madrinha de verdade, porque apresentou meus pais um ao outro. Hm, então tá. Virou madrinha por honra ao mérito.

Aliás, que saudade que eu estou da minha família. Alguns, pq não basta ser família.
No final das contas, todo mundo morre só, e eu não vejo muito problema em ficar longe de gente uó, mesmo que familiares.
Acho que amanhã vou dar uma volta ali pela Liberdade e procurar aquela pomadinha que faz milagre mas que tem um cheiro ruim. Não lembro o nome, mas é muito mara. Aliás, eu acho que tenho uma dessas aqui, masquero preencher o vazio existencial com coisas desnecessárias e que eu já possuo. Tipo, comida, ou revistas que eu nunca vou ler.

Ai, que preguiça.

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